Histórico e Evolução do Programa
Do Histórico e Evolução
A Amazônia, a maior região brasileira em extensão territorial (IBGE, 2010), representa um desafio significativo para a formação acadêmica em nível de pós-graduação. Apesar de sua vasta área geográfica, a região conta com apenas 5% dos cursos de doutorado do país (CAPES, 2020), o que reflete a necessidade premente de qualificação de recursos humanos. A escassez de programas de formação na área da saúde é ainda mais acentuada, especialmente na Odontologia, onde existem apenas dois Programas de Pós-Graduação na região Norte, localizados na Universidade Federal do Pará (UFPA) e na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), ambos com nota 4 na CAPES.
Diante desse cenário, a criação do curso de Doutorado em Odontologia na UFAM, com início em março de 2024, assume um papel crucial na formação de pesquisadores e na ampliação da produção científica na região Norte. Esse avanço acadêmico contribui diretamente para a redução das desigualdades regionais na pesquisa odontológica, consolidando a UFAM como referência na qualificação profissional e no desenvolvimento de estudos voltados às particularidades da Amazônia.
A Universidade Federal do Amazonas tem suas raízes na Universidade de Manáos, fundada em 1908, durante o auge do ciclo da borracha. Como uma das Instituições de Ensino Superior mais antigas do Brasil, a UFAM desempenha um papel fundamental na formação acadêmica da região, atendendo atualmente mais de 40 mil alunos de graduação distribuídos em 118 cursos. Além da sede na capital Manaus, a universidade expandiu sua atuação para o interior do estado, estabelecendo campi em Parintins, Itacoatiara, Humaitá, Benjamin Constant e Coari. Essa descentralização tem permitido o acesso ao ensino superior público e de qualidade aos residentes dos 62 municípios do Amazonas, promovendo o desenvolvimento educacional e científico em toda a região.
A pós-graduação stricto sensu na UFAM vem se consolidando ao longo dos anos, contando hoje com mais de 50 cursos de Mestrado e Doutorado em diversas áreas do conhecimento. Dados da Clarivate Analytics, que analisaram a base Web of Science, indicam que o Amazonas ocupa a 16ª posição entre os estados brasileiros em produção científica, com uma citação de impacto média de 0,81. Grande parte dessa produção é originada da UFAM, evidenciando sua relevância para o avanço do conhecimento na Amazônia. Esses resultados estão alinhados à missão institucional da universidade e ao Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), que enfatiza o compromisso com o ensino, a pesquisa e a extensão, contribuindo para a formação de cidadãos qualificados e para o desenvolvimento sustentável da região.
O curso de Odontologia da UFAM tem um histórico consolidado, remontando a sua fundação em 1910, junto com o curso de Farmácia. Entretanto, devido à crise econômica da borracha, a formação odontológica foi descontinuada na década de 1930, sendo reaberta apenas em 1966, quando passou a integrar a atual Faculdade de Odontologia (FAO). Atualmente, a FAO abriga três cursos – Graduação, Mestrado e Doutorado em Odontologia – e conta com um quadro de 30 docentes doutores. O curso de graduação em Odontologia da UFAM tem se destacado nacionalmente, obtendo a nota máxima (5) nas quatro últimas edições do ENADE, superando significativamente as avaliações das instituições privadas locais.
A criação do Programa de Pós-Graduação em Odontologia da UFAM (PPGO) ocorreu em 2012, inicialmente com o curso de Mestrado, em resposta à necessidade urgente de qualificação de recursos humanos na região. Na época, a Amazônia possuía um número reduzido de mestres e apenas 4% dos doutores do país. O PPGO se consolidou como a única opção de formação stricto sensu para os egressos dos sete cursos de graduação em Odontologia credenciados pelo MEC em Manaus, tornando-se um vetor essencial para a qualificação de profissionais na região. Até 2024, o programa já havia titulado 112 mestres, e a primeira turma de doutorado foi iniciada com 13 discentes. A empregabilidade dos egressos do PPGO é um dos principais indicadores do impacto do programa, visto que a maioria atua como docente nos cursos de Odontologia de Manaus, contribuindo indiretamente para a qualidade da formação na graduação.
A avaliação quadrienal da CAPES de 2020 reconheceu a coerência do PPGO com suas áreas de concentração e estrutura curricular, mas indicou a necessidade de ajustes em alguns aspectos, como reformulação das ementas das disciplinas, aprimoramento dos mecanismos de avaliação discente e docente, além do fortalecimento da produção intelectual e da internacionalização. A autoavaliação do programa foi considerada estruturada, mas carecia de ferramentas formais para mensuração do impacto da formação na capacitação docente. O relatório também apontou a necessidade de maior incentivo à inovação tecnológica e à geração de patentes. Apesar dessas recomendações, o programa manteve um crescimento constante e, em 2023, submeteu a proposta de criação do curso de Doutorado (APCN), momento em que já havia implementado ajustes estratégicos para responder às demandas da CAPES, conforme já descrito no item 1.3 e 1.4 da proposta.
O PPGO visa à formação de docentes com comprometimento científico e social capazes de transformar positivamente a realidade do local em que atuam e contribuindo assim tanto para a melhoria do ensino odontológico quanto da saúde da população do estado do Amazonas.
A missão do programa é formar um egresso com competência para docência no ensino superior, além da formação científica básica, aptos a desenvolver atividades de ensino, pesquisa e extensão nos locais que atuam e aplicar os conhecimentos adquiridos em prol da melhoria da saúde da população de forma crítica, ética e humanista.